Sexo.
Nada mais do que o bom e velho sexo.
É desse alimento que trato, e ele alimenta minha pequena fera interior. Trato de mantê-la alimentada, mas dia a dia o apetite dela aumenta de forma gritante.
No começo, bastava uma boa transa para manter o corpo sossegado por quase uma semana. Hoje em dia, essa saciedade não dura sequer horas.
Talvez seja pelo fato de que o cardápido que eu ofereço a ela, a fera, não inclui toda a dieta que ela deseja. As fantasias, as invenções, as libertinagens, os exageros, no fim, sempre deixam a desejar porque falta um ingrediente fundamental.
Eu sempre digo que não tenho limites, nem pudores e isso é verdade, mas experimente ter um impulso tão forte que mistura todos seus pensamentos, se infiltra em cada frase, em cada olhar, em cada consideração
Já tomei decisões erradas por causa disso. Já abri mão de coisas importantes por causa desse impulso e se me perguntassem sobre a possibilidade de controla-lo e mudar seus rumos, eu não aceitaria.
Mas, por um desvio surgido sei lá onde, minha fera almeja determinadas presas impossíveis de serem alcançadas, ou ainda, presas impróprias de serem alcançadas.
E isso faz com que todo o resto que eu ofereço a ela se tornem apenas aperitivos. E ela dia a dia, se torna cada vez mais insistente quanto a ampliar o cardápido.
Insistente, por enquanto, mas ela vai acabar por se tornar persuasiva.
E nesse dia, eu irei sorrir feliz.
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