No caminho de volta para casa, vindo da Faculdade, observei uma cena das mais comuns que, no entanto, me despertou uma dúvida que grita em meus ouvidos até agora.
A cena: Um casal, sentados em um banco próximo a prefeitura, se abraçava e se beija com um carinho sem igual, nada vulgar, nada agressivo, e ao ouvirem meus passos no passeio oposto (e eu trato de andar fazendo o mínimo de barulho possível), trataram de se levantarem e seguirem em direção oposta.
Que fim levaram, só o diabo sabe, mas então me peguei perguntando: Por que não satisfazemos nossos desejos ignorando a opinião de quem quer que seja?
Por que tudo tem que ter um medo de desaprovação implícito? Por que as pessoas preferem se mudar por medo do que um terceiro, alheio, distraído, cansado e com fome possa pensar?
Se fosse eu naquele banco, poderia passar a Presidenta da República carregando uma faixa cor de abóbora com os dizeres "O que vocês estão fazendo?" e com uma banda de música tocando "Ai se eu te pego" atras que eu sequer teria me movido.
E mais. Por que eu sou obrigado a não fazer coisas que estão de acordo com meus desejos, meus intintos, meus impulsos?
E outra, por que sempre esperam que eu tenha uma resposta? E por que tem que ser a resposta que eles esperam?
Cada dia mais eu me desligo cada vez mais desses laços. Antes já não via motivos o suficiente para agir conforme a expectativa alheia, agora começo a ver motivos reais para ser do contra mesmo.
E ser chato é comigo mesmo.
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