"Eu odeio aquela pessoa!!!"
Quantas vezes eu já ouvi isso, palavras saídas com a mesma naturalidade de tantos lábios como seriam as palavras "Nossa, eu acho que chove hoje".
Se bem que, as vezes, o comentário meteorológico tem mais intenção do que o outro.
Ha de se imaginar uma cara de nojo, um esgar, olhos faiscando numa expressão que, por sí só já traria o peso do sentimento.
Mas não, o que vejo é quase algo despreocupado, uma expresão vazia, impessoal ou até mesmo afetada.
Me pergunto se a pessoa usa aquelas palavras sabendo do peso que carregam. Não, não sabe.
Eu, que sou tachado de mal-humorado, sistemático e chato; eu que tenho (como tantos) regras e normas pessoais que gosto de seguir; eu que me incomodo e me estresso (esqueci do "estressado") até mesmo com o barulho do caminhão do lixo em outro quarteirão. Eu não posso dizer que odeio alguém.
Raiva? Sim, algumas pessoas me põe irritado, raivoso. Furia? Já tive meus acessos de fúria, afinal, nosso controle é pura fachada, e não nego o sangue quente que carrego nas veias.
Ódio? Não. Odiar alguém é algo que eu ainda não sei o que é. Se o amor, como eu o vejo, é o sentimento que suplanta qualquer coisa e sua tempera nunca se perde, então o ódio é o mesmo sentimento, a mesma intensidade e a mesma perseverança.
E ambos em sentidos opostos. Alguém digno de ódio deveria ser a pessoa que representaria meu antagônico. A pessoa cuja existência nega, oblitera, deturpa e ofende tudo em que acredito, seria a encarnação do meu mal, meu anticristo. Seria alguém a quem eu dedicaria minha existência para destruir, da forma mais violenta, sanguinolenta, dolorosa e lenta que fosse possível.
Não. Ainda não há alguém digno disso.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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