sexta-feira, 5 de junho de 2009

E se aproxima o inverno

O Frio. Tão aclamado por muitos, tão destestado por outros muitos. Sou da segunda opinião. Não gosto do frio, prefiro a sensação de estar derretendo sob um sol escaldante a tolerar essa rigidez imposta pela baixa temperatura.

Mas o inverno me traz ainda outras lembranças, ruins no fim, mas lembranças como sempre. Foi em um começo de inverno que conheci a pessoa que mais marcou meu "pobre e sofrido coraçãozinho". Por sete meses o frio não me incomodou. Por sete meses pisei em nuvens, por sete meses o mundo era um lugar de cores berrantes, risadas cristalinas, sorvetes, cinema, calor, carinho e pouquíssima preocupação. Dinheiro? Gastava-o sem medidas (não que fosse muito, mas tudo o que tinha era gasto com prazer). E ao fim deste sete meses me sobraram um coração marcado, um mundo de sonhos postos abaixo e, especialmente, a ausência total de lágrimas (que só foram retornar no fim do ano passado, quando minha mãe morreu).

Depois daquele inverno, pouco ou nada sobrou de toda minha doçura, minha candura, minha aprazibilidade. Amarguei, como cachaça ruim, como café de terceira. As cores não se foram, o que eu perdi foi a capacidade de ser agradável. Enchi-me de minhas manias, entupi meu ser de regras, normais, diretrizes, esquemas, padrões e definições. Tranquei o mundo em uma caixa de vidro e passei a estuda-lo de fora.
Nada era tão agradável quanto deixar um rastro de irritação por onde passasse.

Ou seja, me tornei um chato.

Mas hoje, ao ver o que ocorre com outras pessoas, especialmente com pessoas próximas a mim, passei a temer pelo fato de que elas venham a ficar do mesmo modo. E o pior é que, por falta de diálogo, elas caminham para um final inevitavelmente evitável. Basta que eles conversem, basta que cutuquem um pouco as próprias feridas, deixem grande parte do orgulho de lado, prestem atenção no que seus coração urram.

Eu já carrego o peso do meu mundo nas costas. E percebi que durante todo esse tempo que eu "xregi a orquestra", nada fez diferença alguma. Pessoas continuaram com suas vidas, evoluiram, enquanto eu fiquei com minha birra, minha cisma, meu sentimento de que precisava me isolar.

E nada disso vale a pena. O mundo é um só para qualquer um de nós. Nada do que pensemos, nada do que fizermos vai nos colocar no centro dele. E não importa o quanto eu deteste o inverno, ele sempre vai voltar, e com ele as lembranças.

E que venha o frio.