terça-feira, 7 de julho de 2009

Das coisas que acontecem quando crescemos...

Hoje tive um daqueles momentos de iluminação, sabe, um daqueles que acontecem quando uma janelinha se abre em algum lugar e algo se traduz como sendo mais do que sua crua realidade... entendeu? Não? Bom, é por aí...

Eu chamo de Teoria do Chaveiro, ou dos chaveiros dependendo...

É a clara "evolução" a qual estamos atrelados. E tudo se traduz em chaves, dessas de abrir portas.

O primeiro jogo de chaves que conquistamos, lá atras, na adolescência, sõ as chaves da porta de casa, quandoe estamos autorizados a sair por conta própria, mas tendo aquele horario para chegar em casa.

E ela segue. Depois vem a chave do carro (as vezes do pai primeiro, mas não demora muito e temos nossa própria), depois da casa própria (ou alugada, mas o que importa é que essa é SUA). Depois, com o casamento, vem a chave da casa do sogro, e para alguns sortudos, a chave da "casa de férias".

E a essas junta-se a chave do escritório, do portão do condomínio, da caixa de correio, do cofre do banco, etc...

Veja suas chaves. Elas são o que você está se tornando...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

E se aproxima o inverno

O Frio. Tão aclamado por muitos, tão destestado por outros muitos. Sou da segunda opinião. Não gosto do frio, prefiro a sensação de estar derretendo sob um sol escaldante a tolerar essa rigidez imposta pela baixa temperatura.

Mas o inverno me traz ainda outras lembranças, ruins no fim, mas lembranças como sempre. Foi em um começo de inverno que conheci a pessoa que mais marcou meu "pobre e sofrido coraçãozinho". Por sete meses o frio não me incomodou. Por sete meses pisei em nuvens, por sete meses o mundo era um lugar de cores berrantes, risadas cristalinas, sorvetes, cinema, calor, carinho e pouquíssima preocupação. Dinheiro? Gastava-o sem medidas (não que fosse muito, mas tudo o que tinha era gasto com prazer). E ao fim deste sete meses me sobraram um coração marcado, um mundo de sonhos postos abaixo e, especialmente, a ausência total de lágrimas (que só foram retornar no fim do ano passado, quando minha mãe morreu).

Depois daquele inverno, pouco ou nada sobrou de toda minha doçura, minha candura, minha aprazibilidade. Amarguei, como cachaça ruim, como café de terceira. As cores não se foram, o que eu perdi foi a capacidade de ser agradável. Enchi-me de minhas manias, entupi meu ser de regras, normais, diretrizes, esquemas, padrões e definições. Tranquei o mundo em uma caixa de vidro e passei a estuda-lo de fora.
Nada era tão agradável quanto deixar um rastro de irritação por onde passasse.

Ou seja, me tornei um chato.

Mas hoje, ao ver o que ocorre com outras pessoas, especialmente com pessoas próximas a mim, passei a temer pelo fato de que elas venham a ficar do mesmo modo. E o pior é que, por falta de diálogo, elas caminham para um final inevitavelmente evitável. Basta que eles conversem, basta que cutuquem um pouco as próprias feridas, deixem grande parte do orgulho de lado, prestem atenção no que seus coração urram.

Eu já carrego o peso do meu mundo nas costas. E percebi que durante todo esse tempo que eu "xregi a orquestra", nada fez diferença alguma. Pessoas continuaram com suas vidas, evoluiram, enquanto eu fiquei com minha birra, minha cisma, meu sentimento de que precisava me isolar.

E nada disso vale a pena. O mundo é um só para qualquer um de nós. Nada do que pensemos, nada do que fizermos vai nos colocar no centro dele. E não importa o quanto eu deteste o inverno, ele sempre vai voltar, e com ele as lembranças.

E que venha o frio.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Das músicas que, as vezes, dizem algo...

As vezes, quando menos se espera, uma pare da rotina revela um pequeno lampejo que interrompe todas as linhas de pensamento, faz parar a engrenagem do dia e me obriga a vir aqui.

Digo isso pois, mesmo não tendo uma "hora certa" para fazer postagens, costumo pensar no que escrever antes de iniciar o processo. Mas hoje não foi assim.

Estava eu em meus afazeres trabalhísticos costumeiros, com música rodando como pano de fundo quando inicia-se "I know why you whana Hate Me" do Limp Bizkit. Até aí nada demais, é uma música que eu gosto e, como outras antes, apenas servia como pano de fundo. Mal presto atenção as letras das músicas. Ouço o que ouço, na maioria das vezes, pelo conjunto da obra, e não pelo fato de a letra dizer "isso" ou "aquilo". mas, por qualquer motivo que seja, acabei prestando atenção a letra.

E lá pelo meio da música veio o lampejo. Uma frase: "Because Life is a Lesson, You learn it when you in trought" - "POrque a Vida é uma lição, Você aprende só quando está dentro".

É a típica resposta curta para a pergunta "Porque a vida é assim? Porque isso ou aquilo acontece sempre?". Para entender a vida, primeiro, você tem que vivê-la. E ao final vai acabar entendendo que o "sentido da vida" é apenas ser vivida.

Nada de jeito certo, de "bom caminho", nada disso, apenas viver, como quiser, como for possível, fazendo-se o que tiver que ser feito. Não há um significado oculto, não há uma formula mágica, ou, numa frase clichê: "Não existe o camino, existe apenas o caminhante".

Viva e deixe viver. E, aproveitando ainda outra frase ouvida no fim de semana: "There is a lot of things to think about, but nothing to worry about" - "Existe muito o que se pensar, mas nada com que se preocupar".

domingo, 17 de maio de 2009

Sansão e Napoleão

Antes de mais nada,isto não tem nada a ver com as duas figuras históricas que tem este nome, mas sim, sobre um livro A Revolução dos Bichos - George Orwell (pseudonimo de Eric Arthur Blair).

A história narra a saga de uma granja, onde seus bichos se revoltam contra o julgo do maléfico Sr.Jones - proprietário da tal granja - "Granja do Solar", devido aos maus tratos perpetrados por aquele.

Um grupo de porcos toma a liderança da fazenda, após o bem sucedido levante, e estabelece novas regras, de forma que os bichos passem a ter uma vida digna e justa.

Isso não ocorre, e eu me cativei especialmente pelo personagem Sansão, um cavalo de tração dono de uma força digna do nome que carrega, mas que mesmo com todo seu poder muscular, sujeita-se as regras, sempre tendo duas frases como bordão: "Napoleão tem sempre razão" e "trabalharei mais ainda".

Napoleão é o porco-chefe (depois de uma série de eventos), e é ele quem orquestra o desenrolar dos fatos na Granja.

E vendo o que ocorre lá, não posso deixar de comparar com o que ocorre aqui. Me sinto como Sansão, trabalhando além de minhas forças e recebendo nada em troca, a não ser mais trabalho.

mas o pior é o fato de que, conscientemente, sabemos como as coisas ocorrem, e nada fazemos no intuito de mud-alas. esperamos sempre alguém gritar "me ajudem, eu prometo que tudo irá mudar".

A verdade é: nunca muda, nem mesmose nós estivéssemos lá. Quem tem o poder, só o tem porque a situação assim o favoreceu. Mudar essa situação é abolir o Status Quo, e assim, deixar o poder escapar.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Somos quem somos

Hoje me peguei olhando uma foto minha de infância, vestido com a camisa do time do coração, segurando com orgulho infantil um pequeno cartaz com o placar favorável do jogo. Pela data, eu devia ter lá meus dois anos de idade.

Dias felizes...

E olhando aquela foto, resgatando um pouquinho da simplicidade daqueles dias, um "algo" acontece e, como uma tremenda bofetada de dedos espalmados, me mostrou a dura realidade daquilo que me tornei ou, ainda, do que todos nós nos tornamos quando envelhecemos.

O pressuposto é que, com a idade, o homem deveria ficar mais sábio. Discordo, com veêmencia, disso. A idade nos torna mesquinhos. Mais e mais centrados em nós mesmos, mas não de um modo livre.

Ao invés de passarmos a nos preocupar apenas em fazer o que nos dá prazer, mais e mais olhamos a volta caçando um motivo que seja para justificar o fato de que somos, todos, infelizes em grande parte. Não temos o que desejamos, não fazemos tudo o que queremos, as coisas não funcionam como deveriam, a maior parte de nosso dia é ocupado por algo que nos incomoda e no fim sempre culpamos alguém ou alguma coisa pelas nossas mazelas.

Vingança, cega e mal direcionada, é o que move a grande maioria das pessoas. O chefe, o vizinho, o conhecido que se deu bem na vida, Deus, Diabo, Azar ou seja lá qual for o alvo do "por causa disso eu estou assim", esquecemos de pensar que, as vezes, o maior mal causado a nós mesmos vem de dentro. E sempre, sempre e sempre, o sentimento do "um dia ele me paga" - sendo o "ele" qualquer coisa que não a própria pessoa - é a melodia que ouve-se dia após dia, do amanhecer ao alvorecer.

Nossas canções de ninar, hoje, não falam mais de bois com caras pretas. Nesses dias, para domir, nos embalamos no som profundo e grutual do ódio ao fato de sermos quem somos.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Senso de Humor

“A vida, segundo me parece, tem um estranho senso de humor, para o bem ou para o mal.”

Ao ler esta frase, recebida via SMS por um mui dileto amigo, a qual se referia a estranheza de que, durante os períodos mais atribulados de nossa vida, a mesma acaba por proporcionar-nos situações em que ora nos afundamos na maior das decepções, ora nos entupimos até as narinas de esperança.

É fato que, a ele, talvez tais definições sejam dignas de crítica. Mas o que me move, neste momento, é a constatação que algo, uma engrenagem por detrás dos panos, move-se independente do que nós decidimos para nossas vidas, nosso cotidiano e, especialmente, para nossos “planos futuros”.

A impressão que fica é que esse “algo”, essa “força oculta por detrás de tudo”, está, constantemente a conspirar para que, na maioria das vezes, nossas ações resultem em redundantes fracassos. Nosso destino, no fim das contas, está fora de nossas mãos, controlados por essa entidade, dotada de um imenso senso de humor negro, a qual se diverte em nos empurrar, para cima e para baixo, feito baratas perdidas em um labirinto sem saída, o qual tem como único objetivo, nos fazer padecer a míngua, enquanto somos observados atentamente em nossa agonia lenta, cega e solitária.

Mas, será mesmo? Ou será que não são apenas coincidências? Será, talvez, nossa eterna tentativa de justificar o injustificável? De achar uma razão no irracional? Nosso egocentrismo de pensar que somos tão especiais a ponto de ter um “ser supremo” exclusivamente para ferrar com nossa existência?

O que me lembra uma frase dita em um filme cujo título se perdeu em minha memória, a qual diz algo como: “Porque, às vezes, um rangido em uma casa velha é apenas um rangido em uma casa velha”.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

E continuando...

(aviso, antes de iniciar a leitura desta postagem o autor, no caso eu, recomenda a leitura do post anterior)

Alma, espírito ou seja lá qual for a terminologia que se queira escolher para definir esse "ser". Ele está aqui para aprender, experimentar, testar e avaliar.

A grande questão é: O que? Qual é o assunto a ser aprendido por "ele"?

Voltemos ao exemplo do computador (e apenas para esclarecimento, utilizo o "computador" com amplas liberdades de pensamento pois, como o próprio texto explicará, seria a mesma situação aplicada a nós).

No ambiente virtual, na web, o "plano digital", onde nossa existência é impossível, ele se torna nosso "eu". Ele é a versão digital de todos nós. E, ainda abusando da mencionada liberdade, vamos atribuir-lhe uma "consciência" nesse plano digital. Assim, ele vive nesse "plano", interage com ele, do mesmo modo como nos interagimos com nosso plano. E vem a questão: Mas ele sabe que esá sendo operado por um homem?

Resposta: Não! Assim como nossa consciência reflete nosso conjunto de aprendizado ao longo da vida, do mesmo modo, a "consciência" dele seria reflexo de sua programação. Ele segue o que foi programado, a base de seu comportamento são os dados inseridos nele, e ela vai se modificando a medida que novos dados são inseridos.

Isso me parece muito com o próprio desenvolvimento do homem, mas, continuemos.

Ele não tem consciência de que seus atos foram pré-programados, e que tudo que ele faz, na verdade, são comandos enviados por um ser "superior". Ele não tem consciência do teclado acoplado ao seu intelecto, e tudo o que nós digitamos ele compreende como sendo "pensamentos" dele. Ele faz o que se manda, sem ter a consciência de que são ordens. Ele testa, faz, desfaz, grava, apaga, modifica e etc, sob nossa orientação, mas "acreditando" que são decisões dele.

E o mais importante, ele não faz a menor idéia do que nós pretendemos. Ele não sabe o porque faz o que faz, o porque as coisas acontecem daquele jeito e, hipoteticamente, começa a criar teorias sobre isso.

O ponto é: o que nós fazemos com ele? Muito simples. Você pega cria um programa, faz toda a programação, coloca ele em um computador e deixa ele rodar para ver se ele funciona e o que vai acontecer. e para o computador? Bom, digamos que foi algo como "E se eu misturar salitre, enxofre e carvão, moer tudo e colocar fogo?". para nós o "resultado final" não seja apenas esse programa, mas sim, uma série deles ainda por ser feitos. Para o computador, aquilo foi uma experiência completa. Ele não faz idéia de que há mais por vir, e se fizer, encara como fruto de sua própria "inteligência". mas é provável que o que ele pense estja milhas distante do que pretendemos.

É o que, eu acho, ocorre conosco em relação ao "ser espiritual" ou "alma". Fomos programados? É possível. Do mesmo modo, é possível que o que fazemos, pensamos, sentimos, as coisas que ocorrem (ou não ocorrem) sejam o resultado dessa experimentação. Acontece conosco o que ocorre com o computador. Estamos cegos sobre o que "ele" quer aprender, e tratamos de lidar com nosso dia a dia, obedecendo (as vezes) nossa consciência, tomando decisões com base em nosso julgamento.

E assim como nosso hipotético computador consciente, teorizamos sobre o porque "somos assim", o porque "fazemos o que fazemos", gastamos tempo tentando fazer nossa mente atingir um nível de compreensão inalcançável. Seria como se o compuador tentasse saber como é o gosto de um copo de café em nosso plano.

E desse jeito esquecemos de fazer o óbvio: viver o momento presente.

Mas, no fim, é só uma teoria...